só agora percebi
que em meu verso
não cabia
não cabia rima
nenhuma palavra sentida
muito menos eu
escondido atrás dos olhos
fechados
salivando
o indizível
só agora percebi
que em meu verso
não cabia
não cabia rima
nenhuma palavra sentida
muito menos eu
escondido atrás dos olhos
fechados
salivando
o indizível
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sinto a saudade
esse vento passando
em cada sopro suave
me lembrando que o amor sempre demora
uma vez chegado
não importa o estar
mas importa o ser
e sendo o amor,
sinto esta saudade que também é
(nunca passageira)
companheira silenciosa
junto a esta minha parte
que o vento leva
num capricho de vento
que sopra, sopra, vai e volta
e nunca, nunca se detém
e não sabe nada do que sinto
alinho o coração com o pensamento
e então desdenho o vento
e em tua voz, em teu olhar
descanso.
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como quem já não tem
a mínima pressa
passo lendo todas as placas
e sinais
passo lentamente
os sentimentos são imóveis
sou eu quem se desloca
num caminho que é só meu
delicioso [por vezes triste]
e feliz em cada escolha
permanece
em meu olhar também imóvel
o horizonte
mesmo que o súbito
apareça em meu caminho
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alguém entoando
o silêncio preenchido do verso
afirma a vida
eterna esperança
teimando em prosseguir
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enquanto o livro mudo sobre a mesa
guarda tua casa
e teu corpo nu sobre a cama
vela teu sangue
desconheço todas as palavras
num sono da alma
que já dura muitos anos
mas agora bato o cadeado
e escorro num filete sob a porta
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a tarde ventava
o tempo ventava
o segundo dia do ano
os segundos
um sopro
ventava o calor
enquanto o frio na espinha
escorria
a brisa ventando
lento
ventava um alento
nos versos do vento
que ventava inventando
um sereno
apelo
carinho em meu rosto
dos dedos do tempo
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o amar a beira as ondas
o ciclo infindo
o passo circundante
traços medos
passado presente futuro
passeando
sentada à beira com o violão
a amar as cordas e o violão
as ondas o trago o som
num sentido suspenso
horizonte de perfeição
passo circundante
liberdade
ciclo infindo
solidão
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