Novembro 9, 2009 por lidianelobo
em vinte e poucos anos
consegui reunir uns poucos versos
algumas ideias loucas
diante de paisagens sonhadas
[em vinte e poucos anos
tive todos os sonhos
vindo e indo embora
como cabe aos sonhos]
em vinte e poucos anos
os primeiros dias sonharam
e os seguintes realizaram
pequenos encantos de felicidade
em vinte e poucos anos
preservei as pequenas meninas – do passado e do futuro
embrulhadas neste presente
com um laço de fita
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Novembro 1, 2009 por lidianelobo
poeta, repouse em meu leito,
feche os olhos.
teus músculos doloridos, teus pés cansados;
durma.
velo teu sono.
e o meu corpo preenche os espaços
do nosso silêncio
do nosso cansaço
neste quarto aberto da compreensão…
teus cabelos macios
falam da saudade que sentimos juntos
deixam o rastro no travesseiro
dos amados amigos
como irmãos em lágrimas e sorrisos.
teus poros explicam o universo
em cada célula renovada
nestas horas bastas
do som de palavras não ditas
de amores perfeitos
de esperanças perfeitas
dos traços perfeitos
que traçamos em versos
da mais perfeita textura
como o mar calmo
como a chuva
como as nuvens no céu.
e bebemos no sono
o repouso do corpo
que habita a poesia
acordamos com fome;
comamos.
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Outubro 27, 2009 por lidianelobo
com o pulsar do sangue
com passo
às vezes descompassado
de caput descompensado
poeto pedras
em monumentos
íntimos
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Outubro 10, 2009 por lidianelobo
mentem aos olhos
esses versos perdidos
e para longe levam
a fumaça
o sentir que não sentiram
os outros
versos que encontro
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Setembro 23, 2009 por lidianelobo
já perdi o que diziam os versos
são muitos dias
o que são dias?
passando, passando
é a rua que mudou de tamanho
e eu que não anotei o poema
só sei das pedrinhas ainda nos cantos
rolando, rolando
em trezentos e sessenta e cinco blocos
completando ciclos
e o que diziam?
o que fiz nestes dias completos?
que no mínimo
tenham sido bons os dias
e que tenham dito coisas belas…
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Setembro 20, 2009 por lidianelobo
ainda vivas
existentes
e mortas
postas exigem
inventam respostas
não me permitem
ver
no rumo escondido
que tomas
escritas, compostas
calam verdades
caixinhas chinesas
pesam-me
amarram-me
rendo-me: palavra.
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Setembro 2, 2009 por lidianelobo
aos dias
como pêndulos
de ideias mortas
deu uma volta no quarteirão
e outra ao mundo
despiu-se de luvas e sapatos
ventos que sopram lá
cá tornaram-se vigor
e os dias, não mais suspensos,
têm a cor das coisas reais
realeza de havaianas
de fins de tarde
ensolarados no arpoador…
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Agosto 27, 2009 por lidianelobo
e resisto por mais uma linha, um instante
palavra, letra, ou mesmo esboço de
os carros seguem rápidos, ríspidos
assim me distraem
ao som do sumiço
minguante
a lua sopra outro verso
olho e de novo
sou eu, de pé, parada ali
mãos dadas
atravesso-me a mim
outra linha, outro instante
palavra, letra, ou mesmo esboço de
ao som do sumiço
minguante
e resisto por mais uma linha
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Agosto 25, 2009 por lidianelobo
a chuva juraria
que o dia à noite
avista o tom
a linha tênue, a ternura
tão suave escuridão
em contraste a manhã
esperando num presente
a austera luz
de estranhos ontens
um espanto feito à mão
o serrado sol entende
chove sente
diz, não mente
certo vive e é feliz;
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